O que está acontecendo com Pokémon? - Expresso #4

No Expresso #4, falamos de Pokémon, os novos jogos e o que está acontecendo com a franquia.
Leonardo Stein Antunes Santos
Publicado em 29/06/2019 17:32

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Dessa vez, falamos um pouco sobre Pokémon e os novos jogos da franquia, Pokémon Sword e Shield. Embora os jogos tenham ficado lindíssimos, apresente uma nova região (Galar, baseada no Reino Unido), mecânicas novas e a portabilidade da série principal de um portátil para um console caseiro (ainda que o Switch seja um híbrido) e muitas outras novidades, muita gente não gostou de alguns aspectos da 8ª geração.

Na E3 desse ano, os produtores dos jogos anunciaram algumas mudanças. Primeiro, que nem todos dos mais de 800 Pokémons antigos da franquia estarão no novo jogo ou poderão ser transportados para a região de Galar.  Só esse fato, de não ter mais a National Dex (que basicamente é a Pokédex com todos os Pokémons) já deixou a gigante maioria dos fãs desapontados (para dizer o mínimo).

Além disso, duas das mais novas mecânicas antigas foram tiradas: os Z-Moves (introduzidos em Alola) e principalmente as Mega Evoluções (introduzidos em Kalos, a 6ª geração). Essa última mecânica, adorada pela maioria dos jogadores, só deixou ainda maior a indignação frente a nova geração.

Mas, qual o motivo disso? Não dá para copiar-colar os moldes e animações dos jogos antigos para o novo sistema?

Em partes, sim. A lógica poderia ser importada, mas a animação e moldagem não, teriam que ser refeitas. Isso porque, embora pareça a mesma coisa, o sistema e a programação são diferentes (por exemplo, não dá para abrir um PDF no Paint). Os programadores teriam que refazer os moldes, a programação, a movimentação etc., de todos os 809 Pokémons existentes até agora (e mais as mega evoluções, as diferenças entre Pokémons machos e fêmeas e mais ainda os da nova geração). Então, embora o bater de asas do Pidgey pareça igual Alola e Galar, o molde e a programação para que isso ocorra são diferentes; necessitando duas programações, moldes, movimentação, comportamentos etc. distintos.

Ainda, existem mais de 700 movimentos/golpes diferentes (entre Tackle, Hyper Beam etc.). Aqui seria algo mais fácil de fazer, mas ainda assim, exige um trabalho grande.

Mas, Pokémon é uma grande franquia! Deve ter uma equipe grande de desenvolvedores, não?

Não necessariamente. A GameFreak, desenvolvedora dos jogos da série principal, está querendo focar em outras IPs (Propriedades Intelectuais, em português). Na reportagem da GaminBolt, o programador e diretor Masayuki Onoue deixou claro a estrutura da empresa e disse que a GameFreak está querendo se focar em outros projetos além de Pokémon. Existem basicamente dois times na empresa, chamados Time 1 e Time 2. O Time 1, principal, está focado em conseguir produzir novos jogos (Gear Project), enquanto o Time 2, secundário, é exclusivo para Pokémon.

Pode parecer muita coisa, um time exclusivo para jogos Pokémon, mas no fundo não é. Quanto mais a tecnologia avança, mais complexo é a programação. Enquanto no passado era tranquilo lançar um jogo de Pokémon por ano (porque primeiro, o time principal era para Pokémon e segundo, porque as coisas não eram tão complexas assim), hoje em dia as coisas mudaram.

Dessa maneira, para manter os negócios, a The Pokémon Company (que é a Nintendo + Game Freak + Creatures Inc.) “força” o lançamento de um jogo novo da série principal praticamente a cada ano. Isso pode fazer com que os jogos possam sair menos polidos, com alguns bugs e programação reduzida (vide menos Pokémons, menos animações etc.). Podemos pegar o caso de Sun e Moon, que foi lançado “as pressas” e a versão “definitiva”, melhorada (Ultra Sun e Ultra Moon) veio um ano depois. Ainda, diversos segmentos dependem de uma história nova (anime, filmes, produtos, promoções, competições etc.) e isso gera dinheiro para a empresa.

Para se ter uma ideia, a Ubisoft tem 3 times para a série Assassin’s Creed. Enquanto uma equipe lança o jogo novo, as outras duas estão no desenvolvimento dos futuros títulos. Eles aprenderam isso depois de Unity, que veio cheio de erros e bugs (e por mais que lançassem patch atrás de patch, correções etc., que praticamente faria um jogo novo, ainda assim, havia falhas).

O fato é que a coisa tomou tamanha proporção que ontem, dia 28 de junho, Junichi Masuda, o produtor de Sword e Shield, publicou uma nota sobre a onda dos fãs da série. Ele basicamente agradece os fãs pela preocupação com os jogos e que tem lido o que as pessoas têm falado sobre a transferência de Pokémons para os jogos novos. Ele diz que a decisão de “cortar” alguns Pokémons foi uma escolha difícil, mas que queria deixar algo claro: se um Pokémon específico não aparecer em Galar, não significa que ele não aparecerá em jogos futuros. Mas não fala nada se a National Dex poderá voltar, eventualmente, num futuro game ou não.

Basta apenas a nós esperar. Claro que a treta é muito maior e quem existem muitos outros motivos pelo infeliz corte na Dex da oitava geração.

O que você achou dessa treta toda na Internet? Joga Pokémon? Gosta? Acha que é mais preguiça? Comente para nós aí embaixo!

E enquanto a nova geração não chega, vamos curtindo os jogos antigos e esperar por novidades sobre Galar. Fique ligado e Press Start!

“Um game atrasado pode vir a ser um bom game, mas um game ruim sempre será um game ruim.”
- Shigeru Myamoto.

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